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30 dicembre 2008

Ah, la POESIA....

ARQUIVO PESSOA

Instituto de Estudos sobre o Modernismo
OBRA ÉDITA ·

Álvaro de Campos

NUVENS

No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de consequências?
Não, nada...
O dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...
Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive),
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo o novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?

Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, alacre, vivo, contente de sentir-se...
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,
Vou com ele sem desconhecer...
No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia tão triste...

13-5-1928

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 268.

NUVOLE
Nella giornata triste il mio cuore più triste della giornata...
Obblighi morali e civili?
Complessità dei doveri, di conseguenze?
No. niente...
La giornata triste, la poca voglia di tutto...
Niente...
Altri viaggiano (ho viaggiato anch'io), altri stanno al sole
(sono stato al sole anch'io, o ho creduto di starci),
tutti hanno ragione, o vita, o ignoranza simmetrica,
vanità, allegria e sociabilità,
ed emigrano per tornare, o per non tornare,
in navi che li trsportano semplicemente.
Non sentono quanto c'è di morte in ogni partenza,
di mistero in ogni arrivo,
di orribilie in ogni cosa nuova...
Non lo sentono: perciò sono deputati e finanzieri,
ballano e sono impiegati di commercio,
vanno a tutti i teatri e conoscono gente...
Non lo sentono: perchè dovrebbero sentirlo?

Bestiame vestito delle stalle degli dei,
lasciatelo passare inghirlandato verso il sacrificio,
sotto il sole, alacre, vivo, contento di sentirsi...
Lasciatelo passare, ma ahimè, vado con lui senza ghirlanda
verso lo stesso destino!
Vado con lui senza il sole che sento, senza la vita che ho,
vado con lui in tutta consapevolezza...
Nella giornata triste il mio cuore più triste della giornata...
Nella giornata triste ogni giornata...
Nella giornata così triste...
13 maggio 1928
(da: PESSOA. Poesie di Alvaro de Campos - Adelphi)